Psicodélicos e psicoterapia: o potencial de cura

Substâncias psicodélicas são encontradas na natureza e são usadas em várias culturas há milhares de anos.

Hoje, os medicamentos psicodélicos estão sendo estudados como tratamentos para uma ampla gama de condições de saúde mental, incluindo depressão, trauma e vícios. Quando usados ​​em conjunto com terapias integrativas como a psicoterapia, hipnose e medicina comportamental, podem ter um impacto profundo – muitas vezes, melhorando sintomas que persistiram por anos de décadas, em questão de semanas ou meses.

Recentemente, resultados importantes de ensaios clínicos em todo o mundo estão estabelecendo a segurança e a eficácia dos psicodélicos. Além disso, geram grande interesse entre os cientistas que estão desenvolvendo novos métodos para tentar entender como funcionam para transformar a saúde do cérebro, a cognição, melhorar o humor e aumentar a sensação de bem-estar.

O uso da psicoterapia assistida por psicodélicos constitui uma revolução no tratamento da saúde mental e oferece esperança a milhões de pessoas que não foram suficientemente ajudadas por terapias mais convencionais.

Como funciona?

Os estudos recentes sobre intersubjetividade em neurociência descrevem essa conexão implícita à medida que o terapeuta se sintoniza não-verbalmente com o cliente de momento a momento.

O processo de cura terapêutica está vivo e presente tanto em seus corpos quanto em seus campos de bioenergéticos. O processo de terapia se desenvolve por meio de comunicação implícita, ressonância não verbal e responsividade somática entre dois seres humanos, além de seus papéis como terapeuta e cliente.

Esse reino implícito, corporificado e inconsciente é o território primordial onde substâncias como a ayahuasca, por exemplo, cria uma conexão mais profunda entre terapeuta e cliente, repleta de significados.

Os dois compartilham uma apreciação por outras perspectivas, fontes de discernimento e autoconhecimento. A este nível, técnicas cognitivo-comportamentais ou interpretações analíticas são complementares.

O efeito é descrito por um vínculo de apego, o tipo de relação afetiva entre a criança e a mãe.

Os elementos-chave de um vínculo de apego são que a criança procura estar perto da figura de proteção, onde pode experimentar a angústia da separação em momentos de estresse.

Além disso, essas relações de apego com um outro “invisível” têm a capacidade de reparar velhas feridas desde a infância. As pessoas que cresceram com pais que não eram sintonizados ou responsivos caem nas categorias de apego evitativo, ansioso ou desorganizado.

Elas lutam com a desregulação emocional e têm dificuldade em gerenciar o sofrimento do relacionamento. Cerca de 50% da população se enquadra nessas categorias de apego inseguro.

Quando a experiência de ser compreendido atinge o auge, é como se o universo o abraçasse com aceitação. Esta é uma revelação muito curativa que pode mudar a pessoa de maneira profunda e permanente.

Quão importante é a experiência mística nos benefícios a longo prazo da terapia psicodélica assistida?

Como vimos, pesquisas recentes sobre psicoterapia assistida por psicodélicos mostraram a grande promessa dessa abordagem terapêutica para o tratamento de inúmeras condições de saúde mental.

Em vez de medicar as pessoas para longe de suas emoções, promove uma reconexão com elas.

A terapia assistida por psilocibina para depressão resistente ao tratamento, percebe-se que a experiência mística está no cerne da eficácia do tratamento.

Embora a espiritualidade tenha sido relacionada ao aumento da resiliência e das emoções positivas, o campo da medicina comportamental permanece amplamente ainda pouco conhecido, infelizmente.

Por exemplo, a terapia baseada na atenção plena é uma tentativa bem-sucedida de reintegrar as práticas espirituais com a psicoterapia e psiquiatria. No entanto, muitas vezes sofre do mesmo preconceito – comum a muitas outras práticas contemplativas importadas, a saber – por causa de seu “componente espiritual” significativo na tradução do mundo oriental para o ocidental.

O mesmo parece estar acontecendo com a terapia psicodélica assistida. Os psicodélicos foram originalmente usados ​​como cura pela maioria das culturas e povos indígenas. Porém, essa dimensão foi amplamente perdida em nossa revisão moderna do uso médico desses compostos.

As terapias propostas para acompanhar essa experiência única – apesar de lembrar certos aspectos das filosofias orientais e ameríndias – carecem do sentido de sacralidade, transcendência e divindade, inerente à experiência psicodélica.

Fornecer uma estrutura mística pode melhorar consideravelmente o resultado terapêutico da terapia psicodélica, melhorando o bem-estar a longo prazo, aumentando a probabilidade de uma experiência profundamente transformadora e ajudando a integrá-la à vida cotidiana.

Agora que o campo da ciência está contemplando suas próprias limitações e testemunhando o grande potencial da terapia psicodélica assistida, o momento pode ser propício para a reintegração da espiritualidade na saúde, como fonte de cura, resiliência e florescimento.

Também examinamos o uso de cannabis como uma ferramenta psicodélica, exploração espiritual com LSD, microdosagem com Iboga, tratamento de depressão com psilocibina e psicoterapia assistida por MDMA.

Por fim, revelando diversas maneiras de trabalhar com psicodélicos em termos de conjunto, configuração e tipo de substância, nós do INSTITUTO BAZZI junto com nossas parcerias vamos dar início a uma série de debates, vídeos explicativos, cursos e palestras sobre estes assuntos que ainda são considerados tabus, porém, com seriedade, ética e desenvolvimento profissional científico para aqueles que tanto trabalham no campo, quanto às milhares de pessoas que buscam novas saídas para velhos problemas.

Share on facebook
Facebook
Share on twitter
Twitter
Share on linkedin
LinkedIn
Share on pinterest
Pinterest

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado.

nove + 4 =

Descubra o melhor que há em você