Como dei a volta por cima depois de quebrar financeiramente?

Você já passou por alguma situação ou experiência na vida que nunca imaginou que passaria por ela? Pois é, no meu caso quebrei financeiramente em 2006, e isto foi uma das situações mais complicadas na minha vida, não vou negar!

Sempre fui uma pessoa muito dedicada e responsável no trabalho. Profissionalmente nunca fui demitido, apesar de ter passado por vários cortes de funcionários ao longo dos 21 anos de experiência adquiridos nas instituições em que trabalhei.  Comecei como mensageiro no Banco BCN, e a partir dali fui conquistando promoções e posições nas instituições financeiras em que atuei.

Em 2002 me desliguei do Comércio Exterior e fui para o Mercado de Derivativos, que era uma área que muito me atraia. Esta migração de área foi uma das metas que estabeleci para mim, dentro do meu projeto de transformação pessoal, logo quando me divorciei.

Minha transição de Gerente de Comércio Exterior para Operador Autônomo de Bolsa de Valores não foi a mais adequada possível, reconheço. Os profissionais da área de Bolsa de Valores, aqueles que já atuavam no pregão, só viravam profissionais autônomos como eu, depois de anos de experiência como funcionários em corretoras e instituições financeiras. E o mais importante, operando com o risco e capital de seus clientes. Eu tinha consciência disto, mas mesmo assim assumi o risco, porque era algo que almejava muito naquele momento!

Ao me desligar do banco em que trabalhava, na semana seguinte já estava operando o Dólar Futuro na BMF (Bolsa de Mercadorias e Futuros), que até hoje é considerado um dos mercados mais difíceis e arriscados da área.
Detalhe: eu não tinha clientes porque operava com capital próprio, mas estabeleci uma sociedade com outros dois amigos, com o objetivo de dividir os riscos.

O amargo sabor de uma derrota


Apesar dos cursos, do planejamento prévio, dos contatos na área e da estratégia de sociedade com os amigos, faltou o mais importante: experiência prévia na área, e no ativo específico que decidimos negociar na Bolsa – o Dólar Futuro. Resultado: dois anos depois eu estava completamente descapitalizado!

A gravidade desta situação só me chegou à consciência após o nocaute – o saldo zero na minha conta-corrente. Quem já passou por uma falência financeira ou algo parecido na vida, vai entender perfeitamente o que vou dizer agora: incrível como ficamos cegos e imprudentes quando estamos no caminho da falência! Quando sentimos que estamos no caminho da falência o nosso raciocínio, o nosso bom senso, o nosso discernimento e a nossa razão, simplesmente desaparecem!

Por quê? Porque ao não acreditar e aceitar que isso esteja acontecendo conosco, passamos a não querer enxergar a realidade dos fatos.  A escuridão e a negatividade tomam conta do nosso eu, e esquecemos de absolutamente de tudo que aprendemos ! Esta é a minha lembrança e a minha sensação emocional àquela época, não vou negar!

Qual foi a consequência deste golpe na minha vida? Meu emocional ficou em migalhas! A tristeza, a amargura, a raiva e a baixa autoestima floresceram dentro de mim em alto e bom som. Fisicamente emagreci vários quilos, os meus ombros passaram a pesar toneladas e a minha postura despencou, o meu rosto e a minha aparência ficaram abatidos pela perda do apetite em razão das noites mal dormidas, frutos de tanta preocupação e decepção.

E a vergonha? Como lidar com a vergonha perante a minha família, os meus amigos e os meus colegas de área? Se nunca passou por isto antes, pode imaginar a situação? E a vontade de sumir? E a vontade de simplesmente desaparecer do mapa? Perder a minha estabilidade financeira, depois de tantos anos de dedicação e trabalho responsáveis, foi uma verdadeira tortura pessoal, uma espécie de “Tsunami” na minha vida!

O doce sabor de uma vitória

Viver uma experiência deste porte tem o seu lado obscuro, mas também um lado muito glorioso e de importante aprendizado.

Considerando o cenário atual do nosso país, e suas estatísticas relativas ao desemprego e a falência de negócios, considerei pertinente abordar algumas atitudes que tomei quando enfrentei esta minha primeira crise financeira, e que foram responsáveis pela minha virada de jogo em menos de um ano. Gostaria de compartilhar estas ATITUDES com você, se me permitir.

1. Aceitar

Diante do caos instalado eu tinha duas opções: enterrar-me vivo num buraco ou buscar uma superação. Optei pela superação!

Sempre digo que a vida é uma grande sequência de imprevistos, pois creio que seja quase impossível atravessar uma vida sem erros na vida financeira e na vida em geral. Penso ainda que o melhor jeito de lidar com os imprevistos financeiros seria se preparar, mas isso nem sempre é possível. Como dizia uma ex-sogra minha: “A dor ensina a gemer”. Ou seja, na maioria das vezes o nosso aprendizado vem com a própria dor.
O passo seguinte foi começar a buscar informações que pudessem mudar os meus pensamentos e o meu estado de espírito!

Muitas pessoas podem desacreditar no que vou dizer, mas penso que uma pequena frase pode ter o poder de mudar todo um destino! Por quê? As frases de efeito trazem lições de vida, atitudes e valores que podem nos levar a redefinir nossos pensamentos e atitudes!

Não há uma frase universal para todos! Mas, se pesquisar na internet, certamente encontrará uma frase que tenha muita conexão com você e a sua história de vida.

Eu particularmente me apoiei numa frase de Winston Churchill, porque acreditei que ela se encaixava perfeitamente no meu caso. Ela diz o seguinte: “O sucesso é ir de fracasso em fracasso sem perder entusiasmo”.  Toda vez que minha energia enfraquecia buscava mentalizar esta frase, e logo mudava meu padrão de pensamentos.

Esta frase me ajudou a aceitar a realidade dos fatos, a me perdoar pelo meu despreparo na Bolsa de Valores, e a adotar uma postura de enfrentamento e superação dos meus limites.

2. Buscar o apoio da família e amigos

Por mais constrangedor que isto inicialmente pode parecer, nossa família e amigos são o nosso porto seguro. São eles que permanecem enxergando nossas qualidades, mesmo quando na maioria das vezes, não acreditamos mais nelas.

3. Exercitar a fé

Sei que na maioria das vezes buscamos nossa fé somente quando estamos em extremo apuro. Naquele momento da minha vida andava afastado de Deus e da minha fé, confesso!

Decidi não me julgar, tampouco me punir pelo meu distanciamento com Deus naquele instante. Simplesmente abracei minha fé novamente com unhas e dentes, e com isto me senti mais fortalecido.

4. Cuidar da mente e do corpo

Quando enfrentamos períodos turbulentos, uma das primeiras coisas que abandonamos é o cuidado com a saúde. Meu divórcio parece não ter sido o suficiente para assimilar este aprendizado, e precisei de mais este evento na minha vida para entender de uma vez por todas a importância desta questão.

Fui ao médico fazer um “check-up”, voltei à academia, e não dei espaço à preguiça e ao desânimo que, honestamente, tomavam conta de mim naquele momento.

Procurei focar minha mente em livros, palestras e quaisquer conteúdos gratuitos, que fossem capazes de acalmar e alinhar meus pensamentos na busca pela minha superação pessoal.  Corpo e mente devem estar sempre em plena harmonia!

5. Definir um rumo

É importante refletir sobre a direção a ser tomada logo após a queda, ou seja, abandonar a área onde tomamos o tombo ou erguer a cabeça e seguir em frente. Minha decisão foi a de seguir em frente na área. Insisti na direção do meu objetivo como operador de Bolsa de Valores, porque acreditava que o pedágio do meu aprendizado havia sido depositado por completo.

Lembro que numa certa noite conversando com o meu pai ele me indagou: “Paulinho, você tem certeza que quer continuar na Bolsa?”. Respondi a ele com a voz embargada e os olhos cheios d’água: “Pai, eu sei que a situação é complicada neste instante, mas algo dentro de mim me diz que eu vou superar tudo isto. Apesar de estar completamente descapitalizado, abalado e fragilizado …. algo dentro do meu coração me sinaliza e me diz que ainda não devo desistir de lá, e que sou capaz de virar este jogo”. Ele olhou para mim serenamente, e disse: “Se é isto então que você quer, meu filho, então vá em frente!”.

Importante ressaltar que o seu ego e a sua vaidade não podem influenciar sua decisão! Você precisa ser extremamente sincero com você mesmo, pois não há espaço para mais desgastes emocionais, e você não pode se dar ao luxo de persistir no erro novamente.

Se o melhor para o seu caso for a mudança de rota, ou seja, a mudança de área, isto não é vergonha para absolutamente ninguém. Ao contrário, além de ser uma grande demonstração de humildade e maturidade da sua parte, pode ser mais uma oportunidade na sua vida para REINVENTAR-SE! E reinventar-se é algo sempre muito POSITIVO, acredite!

6. Avaliar os erros e definir um plano

Avaliei a minha situação por alguns dias e revisei meus erros e acertos na Bolsa. Identifiquei dois pontos que julguei serem os mais importantes: o aprimoramento do meu controle de risco (definição de um valor máximo de prejuízo diário), e a mudança de ativo a ser negociado na Bolsa (deixei de operar o Dólar Futuro na BMF e passei a operar ações na Bovespa, onde o risco era menor).

Você deverá analisar criteriosamente os erros específicos cometidos na sua área, e encontrar uma solução e redirecionamento para cada um deles. Este é um ponto VITAL na sua estratégia! Já dizia Albert Einstein: “Insanidade é continuar fazendo sempre a mesma coisa e esperar resultados diferentes”.

7. Resiliência

É preciso ter resiliência se quiser se superar! Resiliência nada mais é que a nossa capacidade de lidar com problemas difíceis, superar obstáculos e resistir à pressão de quaisquer adversidades. Os primeiros passos haviam sido tomados:  melhorar o nível de pensamentos,  tomar a decisão de manter-me na área, identificar os erros cometidos e estabelecer uma nova estratégia de trabalho.

A maior pressão de todas ainda estava por vir: voltar para a corretora e retomar as negociações no mercado financeiro, provido de muito pouco capital,  o que é absolutamente não aconselhável na minha área.

O novo capital investido na Bolsa foi fruto de um pequeno empréstimo. Só para você ter uma noção de como foi difícil este meu reinicio, muitas vezes me flagrei segurando o mouse do computador com a mão trêmula ao clicar a compra ou venda de ativos na Bolsa. O MEDO de perder, ainda que apenas um centavo em qualquer uma das minhas negociações, era simplesmente estarrecedor nos primeiros meses.

O fato é que aos poucos, e com a meta de pequenos ganhos diários, fui reconquistando minha confiança, dominado o meu medo, e com o tempo ampliando o volume e o resultado das minhas operações.

8. Reavaliar constantemente as estratégias

Adquiri o hábito de revisar minhas ações diariamente, o que me permitiu corrigir alguns pequenos detalhes para melhorar o meu desempenho, e seguir garantindo a retomada do meu crescimento.

9. Superado o desafio, permita-se desfrutar do sucesso

Em menos de um ano depois da minha falência fui capaz de honrar todas as minhas dívidas, e ainda reservar um capital que me permitiu alavancar ainda mais as minhas operações na Bolsa de Valores. Retomei a minha paz de espírito e me senti muito orgulhoso de mim mesmo, não vou negar!

Melhor do que ter retomado a estabilidade financeira, foi poder desfrutar a sensação de vitória por conta desta virada de jogo! Nunca vou esquecer desta experiência na minha vida!

 

A retomada da minha vida

Óbvio que não pretendo com estas poucas palavras achar que você vai encontrar uma rápida saída ou solução para todas as suas questões. No entanto, acredito que esta troca de experiências entre nós seja muito positiva!

Quero incentivá-lo a não desistir e a não entregar-se por nada neste mundo, porque compreendo perfeitamente a sua fragilidade e a sua dor neste instante. Seus sentimentos são compreensivamente humanos! Não sinta-se envergonhado de nada!

Entenda que não fui o primeiro a vivenciar uma crise financeira, tampouco serei o último. Anime-se, erga a cabeça, respire fundo, e programe-se para os seus próximos passos!

Pode estar pensando: “Mas eu já tentei de tudo, e não consigo sair desta!”.

Hoje vou até abusar um pouco mais da sabedoria de Albert Einstein, que diz: “Eu tentei 99 vezes e falhei, mas na centésima tentativa eu consegui. Nunca desista de seus objetivos mesmo que eles pareçam impossíveis, a próxima tentativa pode ser a vitoriosa”.

Portanto, acredite em você, PORQUE EU ACREDITO EM VOCÊ! Tenho confiança de que também é capaz de dar a volta por cima, e estabelecer a sua própria VIRADA DE JOGO!

Para finalizar este texto, gostaria de deixar você refletindo ainda um pouco mais, enquanto escuta esta música do Titãs: Enquanto houver sol. Esta música é uma ótima opção para quem precisa de motivação para continuar sua trajetória, porque fala de esperança e dá incentivo para que as pessoas jamais desistam de seus objetivos.
Ela diz, dentre outras coisas:

“Quando não houver mais saída, quando não houver mais solução;
Ainda há de haver saída, nenhuma ideia vale uma vida!
Quando não houver esperança, quando não restar nem ilusão…
Ainda há de haver esperança em cada um de nós, algo de uma criança
Enquanto houver sol, enquanto houver sol, ainda haverá…”

 

PORTANTO, ENQUANTO HOUVER SOL, ENQUANTO HOUVER SOL, NÃO DESISTA!

Você já passou ou esta passando por alguma crise financeira?
O que você fez ou o que esta fazendo para superar esta situação?

Deixe seu comentário aqui abaixo! Certamente ele contribuirá para ajudar outras pessoas! Pense carinhosamente em DOAR algumas poucas palavras ao próximo! Isto simplesmente não TEM PREÇO!
Gratidão eterna pela sua atenção, e até o nosso próximo encontro!

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2 respostas

  1. Olá meu querido amigo Paulo, sim estou em uma situação financeira complicada , no ano passado 2015 fiz muitas loucuras nunca pensei que faria coisas tão absurdas mas fiz, uma delas foi o meu divorcio que acarretou para mim muitos desgostos e me atolei em dividas , sempre levei uma vida ordenada com minhas contas em dia de repente tudo se perdeu cai num abismo me atolei no charco , agora estou trabalhando duro para sair dessa situação , enfrento tudo com muita serenidade porque sei que vou pagar tudo o que devo sou confiante na minha capacidade , não me abalo com os cobradores vou calar-lhes a boca honrando meus compromissos, vou vencer essa batalha e voltar a ter paz e alegria Deus é comigo. Um abraço amigo.

  2. Graaaande Antenor! Primeiramente muito obrigado pela sua sinceridade em relação ao seu depoimento! Certamente ele irá ajudar e incentivar pessoas que estejam passando por esta questão neste momento! É sempre muito confortante saber que não estamos sozinhos, principalmente quando estamos enfrentando grandes desafios pessoais em nossas vidas! Sua perseverança, confiança, determinação e fé tornarão sua caminhada muito vitoriosa, não tenho dúvidas! Confio muito na sua força e na sua capacidade de superação! Você pode! Você merece! Este espaço se manterá aberto, sempre quando quiser compartilhar seus pensamentos à este respeito! Gratidão eterna pela confiança, e até o nosso próximo encontro!

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