A gratidão e o perdão como agentes de cura.

 

Diariamente, assim que abrimos os olhos, muitas coisas passam despercebidas. Recebemos bênçãos diariamente e nem todas são necessariamente relacionadas a algo material. Porém, são essenciais e de valor incalculável. Se você prestar atenção às pessoas felizes, vai observar que uma das características mais marcantes que apresentam é justamente o fato de serem agradecidas por tudo o que lhes ocorre. Portanto, se desejamos atrair mais bênçãos e realizações às nossas vidas, devemos ser gratos também a tudo quanto já recebemos.

E o que dizer sobre o perdão então? Bem, eu diria que ambos (gratidão e perdão) são altamente benéficos, essenciais e têm o real poder de nos curar e libertar. E nos libertar de quê? Talvez, de nós mesmos. Dos nossos medos, apegos, crenças limitadoras, mágoas, ressentimentos, do orgulho, da vaidade e egoísmo que por vezes carregamos através dos tempos, e, acima de tudo, nos libertar do que já é passado.

E uma coisa é fato: não se deve pedir perdão, por praxe, porque alguém ou até mesmo algum seguimento filosófico religioso lhe cobre e ou lhe imponha isto. Não. Perdoar é algo que tem que ser espontâneo, sincero, com vontade, para surtir efeito na alma, tanto de quem o dá, quanto de quem o recebe. Diria até que é um ato de amor. E tão prazeroso quanto saber perdoar é o ato de pedir perdão a alguém. É libertador! E isso não precisa ser feito pessoalmente. Pode ser feito por pensamento, visualização, através de intenção ou oração.

 

Basta eliminarmos o orgulho, a vaidade, o egoísmo e pronto: como que por encanto libertamos ao outro e a nós mesmos. E, diferente do que muitos pensam, isto não nos faz pequenos. Não, de forma alguma. Ao contrário, perdoar nos torna livres, leves para prosseguirmos em paz em nossa jornada. Mostra o quanto crescemos (mental, afetiva e espiritualmente), amadurecemos. Mostra a grandeza da humildade. Perdoar, e pedir perdão, é sinônimo de paz interna, de estar bem consigo mesmo.

 

Se você vive uma vida que você considera não ser boa, veja a sua “cota” de participação nela e perceba o quanto e como você se posiciona. O quanto você se dá ao direito de expressar o que pensa e o que sente realmente? O autoperdão se encaixa aí: na capacidade da autoaceitação. Aceitar que a forma de expressar o ser humano que somos não é certa nem errada e, sim, única. Autoperdão não tem nada a ver com autocondescendência. A autocondescendência tem uma pitada de autopiedade, pois a pessoa se “perdoa” falando assim: “Ah, mas coitado de mim, eu não podia fazer diferente. A culpa é do outro”!

 

Autoperdão é assumir quem você é: nem melhor nem pior do que ninguém. Não tem julgamento! É saber que fez o seu melhor naquele momento. Consiste em falar o que sente e o que pensa, porque é realmente o que sente e o que pensa; dando-se ao direito de posicionar-se diante das situações da sua própria vida. Para que possamos nos compartilhar com o outro e com o mundo precisamos ter uma noção clara de quem somos (autoconsciência) e quais são nossas necessidades físicas, intelectuais, espirituais e psicológicas para que possamos colocar quem somos na forma mais fiel possível e requisitar o que precisamos do meio ambiente e das pessoas.

 

Ao perdoar-se, a pessoa para de exigir de si mesma aquilo que ainda não está pronta para dar, bem como para de se culpar por algumas “bolas fora” que dá. Para de se autoexigir e dar ao outro ou ao mundo o que “acredita” que estão exigindo. É a libertação da ditadura autoimposta que se acredita vir de fora. O processo do autoperdão começa tirando-se os “deverias” e os “terias” do seu dicionário e cotidiano. É dizer para você mesmo: “Eu não tenho que… nada!”, “Eu não devo fazer… nada!”.

 

Aceitar que você tem necessidades físicas, intelectuais e emocionais distintas das dos outros; e mais, aceitar que tem todo o direito de satisfazê-las, desde que, é lógico, não interfira nem invada os direitos do outro. A ética não se aplica apenas nas relações interpessoais, mas, também, na relação intrapessoal: se você não respeita seus limites nem se perdoa por tê-los, você está sendo antiético consigo mesmo. Como pode haver relacionamentos éticos em sua vida se você não tem consigo mesmo?

 

Ser diferente é, muitas vezes, percebido como ser inferior e inadequado e, portanto, muitas vezes, as pessoas se envergonham de quem são. Por isso usamos máscaras (que Jung chamou de “Personas”) que consideramos aceitáveis, porque queremos ser amados, e jogamos no fundo de nós mesmos nosso verdadeiro “Eu”. Essa atitude leva consigo a autoestima e o autovalor, pois nunca conseguimos a real satisfação vinda do reconhecimento do outro sobre o nosso “Eu” verdadeiro, porque o que conseguimos, no máximo, é um feedback, positivo ou negativo, sobre o que mostramos, nossa “Persona”. Vem daí a eterna sensação da falta de amor.

 

Essa sensação de falta de amor não é porque não se tem o amor das pessoas, mas sim porque não se tem autoamor, pois, por alguma razão, queremos ser perfeitos e não nos perdoamos por não sê-lo. Por isso, autoperdão tem a ver com autoaceitação. Autoperdão é viver “de bem” consigo mesmo, é viver em paz. Viver em paz traz saúde física, emocional e espiritual, ou seja, evita as somatizações (sensações de dores e sintomas físicos provenientes de distúrbios psíquicos). Se você praticar a gratidão, o perdão e o autoperdão estará se prevenindo de adoecer.

 

Sugiro as práticas meditativas e a leitura dos textos do meu amigo editor Marcio Belo, aqui do Instituto Bazzi, que fala tão bem sobre “Coerência Cardíaca”, e também dos demais colegas que se reportam com tanto amor sobre os temas aqui dispostos e relacionados à área da saúde.

 

Te desejo muita luz, paz e amor.

 

Elaine Cristina Exel

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