A deusa está viva e bem!

Sim! Ela está bem viva! 

Hoje, o movimento do Sagrado Feminino está cada vez maior, abrangendo não somente a parte religiosa, que inclui crenças e práticas espirituais, mas também entrando nos alicerces da medicina comportamental. Como assim?

Veja a seguir!

O movimento que ficou mais forte na América do Norte e Europa Ocidental ainda na década de 1970, ele nascendo como uma forma de reação às percepções de cunho masculino (dogmas, religião organizada e dominada por homens, machismo estrutural, misoginia, homofobia, etc) passou a ser, além de uma questão de espiritualidade, algo mais libertador e esclarecedor na relação de gênero, de feminilidade, de empoderamento, de saúde mental e autoconhecimento.

Assim, o “movimento da Deusa” é uma tendência mundial, e não está centralizado no seu cunho exclusivo místico, pois não possui princípios de crença centralizados. 

Na verdade, mesmo em suas práticas místicas (de “união com a Deusa”) variam muito, desde o nome e o número de deusas adoradas até os rituais e ritos específicos usados ​​para fazê-lo. 

Portanto, poderíamos definir o movimento da Deusa, o Sagrado Feminino, como uma forma de mística e espiritualidade cultural, cada vez mais diversificada, mundialmente difundida, eclética e mais dinâmica nos processos sociais.

No Brasil, louvamos o trabalho da precursora do Sagrado Feminino, Mirella Faur, que é iniciadora e formadora de grupos e círculos sagrados de mulheres, publicando artigos, livros e criando rituais de mulheres, explorando ideias e sentimentos sobre a divindade feminina. continua hoje com grupos chamados “Círculos” em muitas localidades do Brasil.

A terapia no Sagrado Feminino

Assim, participantes do movimento da Deusa muitas vezes invocam mitos. 

No entanto, alguns céticos afirmam que estes são reconstruções a partir de fontes antigas e outros são invenções modernas. De qualquer forma, os mitos antigos ou não, são interpretações de realidades, e sim são figurativos e metafóricos, que refletem antigos entendimentos e visões de mundo. 

Por exemplo, os mitos da criação (de uma Deusa criadora), além de não serem vistos como conflitantes com a compreensão científica, são ainda afirmações poéticas e metafóricas compatíveis com a teoria da evolução, a cosmologia moderna e a física. 

Estudos na literatura contemporânea, como “The White Goddess”, de Robert Graves, “O Asno Dourado”, de James Frazer, “O Poder do Símbolo”, de Joseph Campbell, “”A Natureza da Psique” de Carl Jung, “A Dança Cósmica das Feiticeiras” de Starhawk, “O Sagrado e o Profano”, de Mircea Eliade e “Círculos Sagrados” de Mirella Faur nos dão conta de que antigos mitos como de Deméter e Perséfone, de Ísis e Osíris, de mesmo Maria Madalena, são chaves para entender como antigas sociedades matriarcais estavam por trás de elementos da nossa natureza íntima.

Starhawk também fala da Deusa como um símbolo psicológico e da realidade manifesta. Por exemplo, isso é visto no caso da Deusa Tríplice, onde a Donzela, Mãe e Anciã seriam os aspectos da mulher jovem ou criança (representando independência e força), a Mãe como arquétipo da mulher madura que nutre e a Anciã, como arquétipo da senhora que representa sabedoria, mudança e transformação. 

Por que as mulheres precisam da Deusa

Quais são os efeitos sociais e psicológicos desse novo e emergente amor de si mesma para as mulheres cuja experiência social e individual foi milenarmente focalizada nas figuras do masculino? 

A dimensão dessa força do feminino entre as mulheres tem ramificações psicológicas significativas para toda a sociedade.

As culturas centradas na figura masculina criam “humores” e “motivações” que mantêm as mulheres em um estado de dependência psicológica e da autoridade, ao mesmo tempo em que legitimam uma hierarquia social nas instituições como família, trabalho, lar, etc. 

Se um Deus é um pai homem governando seu povo, então “é assim a natureza das coisas” e a “ordem do universo”, de que a sociedade seja dominada pelos homens. Nesse contexto, ocorre uma mistificação de papéis: o marido dominando a esposa representa o “próprio princípio divino”. 

A filósofa Simone de Beauvoir escreveu:

“O homem goza da grande vantagem de ter um deus endossando o código que ele escreve; e como o homem exerce uma autoridade soberana sobre as mulheres, é especialmente afortunado que essa autoridade lhe tenha sido conferida pelo Ser Supremo. Para os religiosos, o homem é mestre por direito divino; o temor de Deus, portanto, reprimirá qualquer impulso de revolta na mulher oprimida.”

Esta breve análise dos efeitos psicológicos e sociais nos coloca em uma excelente posição para começar a entender o significado dos símbolos do Sagrado Feminino para as mulheres. 

O significado mais simples é o reconhecimento da legitimidade do poder feminino como poder beneficente e independente. Uma mulher que ecoa a declaração de “encontrei minha divindade em mim mesma”, está dizendo: “O poder feminino é forte e criativo”. 

Ela está dizendo que o princípio divino, o poder sustentador, está em si mesma, que ela não vai mais olhar para as figuras masculinas como únicas salvadoras. Está em nítido contraste com os paradigmas da dependência feminina em relação aos homens que têm sido predominantes na religião e na cultura ocidentais.

Consequências patológicas

A difamação do corpo feminino é expressa em tabus culturais e religiosos em torno da menstruação, parto e menopausa nas mulheres. 

Antigamente, as mulheres menstruadas eram proibidas de entrar em recintos sagrados para homens, e poucas mulheres em nossa cultura crescem afirmando sua menstruação como uma conexão com o poder sagrado. 

A maioria das mulheres aprendem que a menstruação é uma maldição e cresce acreditando que é melhor esconder os fatos sangrentos da menstruação. 

Por outro lado, o parto é tratado como uma doença que requer hospitalização, e a mulher é vista como um objeto passivo, anestesiada para garantir sua submissão à vontade do médico. O movimento de mulheres desafiou essas atitudes culturais, e muitas se uniram aos defensores do parto natural e do parto domiciliar para enfatizar a necessidade delas controlarem e se orgulharem de seus corpos, incluindo o processo de nascimento.

Além disso, a cultura ocidental também dá pouca dignidade à mulher na pós-menopausa ou no envelhecimento. Não é segredo que nossa cultura se baseia na negação do envelhecimento e da morte, e que as mulheres sofrem mais severamente com essa negação do que os homens. 

As mulheres são colocadas em um pedestal e consideradas poderosas quando jovens e bonitas, mas devem perder esse poder à medida que envelhecem. Em contrapartida, alguns homens são vistos como sábios e autoritários em idade, e das mulheres idosas, têm-se pena e são evitadas. 

Ainda, a mitologia religiosa associa as mulheres idosas ao mal no símbolo da bruxa velha e má. 

Esses padrões estão mudando na nova cultura criada pelas mulheres, e onde esses vínculos começam a ser celebrados. 

Assim, entrando nessa nova jornada de autoconhecimento, nós afirmamos:

Cultive a vida, confie no conhecimento que vem através do corpo, revele a verdade sobre os conflitos, as dores e o sofrimento e ajude a consertar a teia.

Houve um tempo em que homens e mulheres não eram escravos, lembre-se disso. O ser humano andava sozinho, a natureza não era conquistada, mas assimilada, lembre-se… 

Que os símbolos arquetípicos do feminino se desdobrem ainda mais hoje na psique da mulher moderna e do homem. 

Nossa jornada está só começando!

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